Tradução do artigo escrito por Meg Cabot, no Huffington Post

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Outro dia me deparei com um artigo que a Meg redigiu para o "Huffington Post" — o maior blog jornalístico existente —, defendendo a leitura por prazer e achei bastante interessante. Resolvi traduzir, porque eu concordo plenamente com o que ela diz no artigo. Além de defender a leitura por prazer, ela ainda fala um pouco sobre a sua adolescência e também sobre o seu mais novo livro "Abandon" (Abandonada, em tradução livre). O original, se quiser conferir, se encontra aqui.

Por que a leitura por prazer é um negócio sério?
Por Meg Cabot

Quando eu era uma adolescente, minhas leituras preferidas eram os quadrinhos de "Star Wars" ou "Mulher Maravilha",  e qualquer coisa que eu conseguisse encontrar na prateleira giratória da biblioteca da minha cidade que tivesse uma garota na capa aparentando estar fugindo de encrencas.

Presa no meio de uma perigosa intriga política em um planeta bem distante de nós? Sim, por favor. Esposa secreta prisioneira no sótão? Excelente.

O que eu não queria ler era qualquer coisa remotamente ligada a algo que estava acontecendo em minha própria vida. Por que eu iria querer ler sobre alguma garota que tem exatamente o mesmo problema que eu, quando eu já estava lidando com eles diariamente?

O que eu queria era uma pequena pausa dos meus problemas, e livros — desde que fossem o tipo certo de livros— nunca falharam em me oferecer isso.

Tenho certeza de que eu não sou a única que se sente desta forma. Uma vez eu ouvi dizer que, durante as negociações de paz com Israel, Anwar Sadat lia romances de Barbara Cartland na banheira toda noite para relaxar. Por que não? Quão mais longe você consegue fugir de política do que com uma noiva em fuga?

Então, provavelmente não seria tão surpreendente que, ainda adolescente, quando eu me deparei com um livro sobre uma garota fugindo de um rapaz em uma biga — uma cópia da Mitologia de Edith Hamilton — e li o mito de Perséfone, eu me encantei com ele profundamente.

Não são muitos os mitos gregos onde a personagem feminina não acabava transformada em uma planta, uma árvore ou um animal depois de esbarrar em um deus.

Mas depois de ser sequestrada por Hades, o deus grego da morte, Perséfone acaba ganhando os títulos de Deusa da Morte, Rainha do Mundo Inferior e Deusa da Primavera. Coisas bem sombrias... Mas então, quem disse que o colegial era a melhor época da vida não sabia o que estava falando.

Muitas pessoas vêem a Perséfone como uma vítima, mas eu nunca a vi dessa forma. De fato, acho que algumas pessoas subestimam a Perséfone, tal como eles subestimam o valor da leitura como uma "válvula de escape". Há inúmeras versões do mito indicando que Perséfone foi cúmplice por consumir a romã que a condena a passar seis meses (ou quatro, dependendo da versão) do ano no Mundo Inferior.

Eu não posso dizer que este mito foi o que me transformou de leitora a escritora de mais de cinquenta livros publicados, porque não é. Eu venho escrevendo (e desenhando) histórias como uma forma de escapar dos meus problemas por tanto tempo quanto eu venho lendo (desde aproximadamente os 7 anos de idade).

Mas no momento que eu li o mito de Perséfone, minha vida mudou para sempre. Eu posso não ter percebido na época, mas a prova é incontestável. É relembrada nos cadernos de Álgebra que guardei daquele tempo (cerca de 1981-1985). Você pode ver os rabiscos originais que eu fiz baseados na Mitologia de Edith Hamilton (e o mito de Perséfone) em meus cadernos de Álgebra do colégio, que eu resgatei não muito tempo atrás. Ao invés de prestar atenção nas aulas, eu aparentemente estava planejando minha própria versão da história de Perséfone, que eu planejava escrever um dia:


Não surpresa, eu fui reprovada em Álgebra (I e II). Isso foi particularmente pertubador para o meu pai, que era professor de Análise de Negócios Quantitativos,  e que disfrutou muito de sua própria leitura por prazer (romancces de espionagem); é provavelmente de onde eu aprendi o amor pela leitura. Eventualmente, eu refiz Álgebra — na Universidade de Indiana — onde ele lecionava, e onde eu me graduei como Bacharel em Artes.

Mas eu nunca fui curada do meu amor por livros envolvendo fortes protagonistas femininas (ainda encontrado nas prateleiras giratórias de bibliotecas locais, e agora felizmente também em livrarias e em e-readers em toda parte), e homens que as amam pela sua força. Eu adorava tanto ler sobre essas mulheres que, após me mudar para a Faculdade de Pós-Graduação de Nova York, eu passei anos tentando obter com que minhas histórias (e ilustrações) fossem publicadas. Eu queria dar à meninas que se sentiam do jeito que eu me sentia quando adolescente, o mesmo tipo de "férias" de seus próprios problemas, do modo que eu sempre desejara.

É por isso que estou especialmente animada com o meu novo romance, "Abandon", um reconto do mito de Perséfone, porém com uma grande diferença: ele se passa em um colégio dos tempos atuais.

Nos dias de hoje, algumas pessoas menosprezam os então chamados "leitura de escape", especialmente quando se trata de adolescentes — principalmente meninas — e os livros que elas escolhem para ler.

Mas eu acho que é importante entender que o que pode parecer como uma "leitura de escape" — seja isso uma revista em quadrinhos, um romance ou um graphic novel, ficção científica ou mistério — está na verdade servindo como um importante e complexo propósito. Os problemas dos quais essas garotas parecem estar fugindo — e eu não me refiro às garotas das capas — podem ser mais devastadores do que elas deixam aparentar. Ao me dar a chance de escapar dos meus problemas por um tempo, os livros que eu lia na adolescência sobre garotas com problemas ainda maiores que os meus ajudaram-me a lidar com eles.

Então quem tem o direito de dizer quais livros são "apenas para diversão", e quais terminariam por mudar uma vida para sempre?

Tudo o que sei é que, esses livros de prateleiras giratórias da biblioteca ajudaram-me durante alguns dos momentos mais difíceis da minha vida, e me enviaram ao caminho em que eu estou trilhando atualmente.

E por isso, eu sempre serei grata.

4 comentários:

Luna Rocks disse...

Já tinha lido o artigo em inglês. E eu amo a Meg S2! (coração emo)

Como ela, eu também pratico a "leitura de escape". XD euheueuheu

Mye-chan disse...

Também amo a Meg, e acho a história de vida dela um grande exemplo para todos. Ela não era alguém extraordinária, não tinha as melhores notas, não fez a faculdade certa para ela, e mesmo assim, olha onde ela está agora. =]

Acho que a "leitura de escape" também pode ensinar muitas coisas, mesmo sem se perceber. Porque acabamos vivenciando aquelas experiências da personagem, como se tivesse sido conosco, e podemos tirar lições importantes disso.

Mai Saito disse...

Adorei o texto da Meg.

Realmente muito inspirador =)

E agora também to esperando ansiosa pelo livro. XD

Mye-chan disse...

Também estou, Mai! Mas pra chegar no Brasil, só ano que vem! >.< Não sei se vou conseguir esperar!